O mal do século XXI não é o câncer nem as doenças cardíacas, e sim a compulsão por carboidratos, principalmente o trigo, centeio, cevada e outros cereais que contém glúten. Nossa cultura está impregnada de crenças a favor do consumo de cereais. Atualmente são plantados e consumidos mais de 600 milhões de toneladas de trigo, o que faz dele o produto agrícola mais comumente consumido no mundo, junto com o centeio e a cevada.

 

A ingestão de alimentos com glúten faz o sistema imunológico reagir patologicamente a está proteína, o que leva as pessoas a muitas doenças crônicas silenciosas levando a sintomas e sinais como baixa estatura, dores de cabeça, insônia, fadiga crônica, anemia, falta de atenção, problemas de memória, perda do foco, problemas gastrointestinais e doenças como depressão, doenças autoimunes, doenças intestinais inflamatórias, dermatite herpetiforme, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDHA), autismo, esquizofrenia, transtornos neuropsiquiátricos, câncer, diabetes, doenças da tireoide, Lúpus eritematoso, esclerose múltipla, etc.

 

Mas o que é o glúten? 

O glúten é uma proteína presente em cereais como trigo (gliadinas), aveia (aveninas), centeio (secalinas), cevada (herdeínas), malte, triticale, esperta, kamut e outras fontes não seguras como a dextrose, maltodextrose, polidextrose, amido de trigo (colocado em remédios), as siglas PVT (proteína vegetal texturizada), PPT (proteína da planta texturizada), PVH (proteína vegetal hidrolisada), PPH (proteína da planta hidrolisada) e GMS (glutamato monossódico). É proteína composta pelas gliadinas e as gluteninas que em presença de água e agitação formam o glúten.

 

 

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O vídeo abaixo do Dr. Lair Ribeiro, cardiologista e nutrólogo, explica o que é o glúten e como ele afeta a saúde:

 

 

 

 

 

 

O cultivo de cereais e a agricultura foi introduzido pelo ser humano há mais ou menos 10.000 anos atrás, mas a humanidade habita o planeta há pelo menos 2 milhões de anos como caçadores-coletores ou seja, não se alimentando de grão de cereais. Não houve portanto tempo evolutivo para o organismo humano se adaptar ao consumo de cereais. Nosso organismo ainda é sensibilizado geneticamente ao glúten o que causa vários distúrbios à saúde. 

 

A natureza seleciona características nos organismos que permitem se adaptar e sobreviver melhor ao meio em que vivem tempo suficiente para reproduzir, ou seja, a seleção natural é feita antes da idade reprodutiva do indivíduo. No entanto não é o que acontece em relação ao glúten, o impacto de consumir cereais ocorre bem depois da idade reprodutiva, muitas vezes na meia-idade, passando geneticamente a característica de sensibilidade ao glúten. Está herança genética está presente de várias formas com marcadores de HLA-DQ2, HLA-DQ8, HLA-B8 e outras sensibilidades ao glúten como a Doença Celíaca, Sensibilidade ao Glúten não Celíaca e alergia alimentar ao glúten.  

 

Outra questão de grande importância é a modificação pela engenharia genética na agricultura nos últimos 50 anos nos cereais, houve um aumento de 400% de glúten para ser mais resistente à pragas, durar mais tempo e melhorar as característica para assar como a resistência ao calor, elasticidade e uma aparência mais atraente.

 

Assista ao vídeo abaixo e entenda como o glúten afeta a saúde:

 

 

 

 

 

Todas estas mudanças geram um impacto muito grande na saúde humana. Como os diversos tipos de sensibilidades ao glúten:

Doença Celíaca Clássica: 

Os sintomas principais são letargia, aparência pálida, diarréia, gases excessivos, dores abdominais, sinais de má nutrição, febre, estômago inchado, fezes com muco, sangue e malcheirosas e anemia crônica. Mesmo sendo muito bem conhecidos os sinais e sintomas o diagnóstico preciso leva em torno de 11 anos nos Estados Unidos e no Canadá (que são referências mundiais). Isto ocorre por uma crença equivocada de que a Doença Celíaca é muito rara.

Doença Celíaca Atípica:

Aparece só um sintoma ou sintomas que não parecem estar ligados a ela, como problemas pulmonares, artrite reumatoide, dores de cabeça, depressão, anemia crônica, anormalidades hormonais, miastenia gravis, artrite reumatoide, asma, ataxia, autismo, azia, câncer, colite ulcerativa, desorientação mental, problemas de memória, baixa estatura, deficiências vitaminas e minerais, TDHA, ansiedade, agressividade, esquizofrenia, impulsividade, inquietação, impaciência, irritabilidade, refluxo, síndrome do intestino irritável, aftas, doenças da tireoide, doenças hepáticas, doença renal, urticária crônica, rinite crônica, lúpus eritematoso, dor nos ossos ("dor do crescimento"), osteopenia, dermatite herpetiforme, psoríase, fadiga crônica, micose fungoide, vitiligo.

Doença Celíca Silenciosa ou Assintomática:

Danos intestinais ocorrem há anos mais não apresentam sintomas. Normalmente somente quando há o agravamento da doença é que aparecem os sintomas graves como um câncer, enfermidades crônicas, doenças neurológicas.

Doença Celíaca Latente:

O exame de sangue é positivo, mas a biópsia é negativa. Não há lesão intestinal inicialmente, depois de alguns anos a doença se mostra. Comum em parentes de primeiro grau de celíacos e diabéticos. A biópsia inicial é negativa só ficando positiva de 6 meses a 3 anos mais tarde.

Sensibilidade não Celíaca ao Glúten:

Está é a mais difícil o diagnostico de todas as doenças geradas pelo consumo do glúten, porque o indivíduo tem lesão no intestino com vazamento das proteínas e toxinas alimentares no sangue, mas não apresentam lesões nas vilosidades intestinais. Há o aumento das células imunológicas intestinais. O indivíduo é portador da sensibilidade não celíaca ao glúten, mas acaba não sendo tratado.

Dermatite Herpetiforme (Doença de Duhring):

É uma doença de pele crônica provocada pela sensibilidade ao glúten. São lesões em forma de erupções ou semelhante a várias espinhas pequenas e aparece principalmente atrás dos joelhos, nádegas, cotovelos e rosto.

 

Para entender melhor sobre o que o glúten gera no ser humano segue abaixo o vídeo do Dr. Tom O'Bryan, especialista internacional e referência nos Estados Unidos em alergias alimentares, complicações não celíacas à sensibilidade ao glúten e doença celíaca. 

 

 

 

 

 

Um dos sintomas mais frequentes a sensibilidade ao glúten e na doença celíaca é a Hipermeabilidade do Intestino (Leaky Gut Syndrome) que se caracteriza pela irritação e inflamação do epitélio do intestino delgado com porosidade da parede intestinal além do normal permitindo a passagem para a corrente sanguínea de substâncias (proteínas alimentares inteiras, toxinas, bactérias, fungos, parasitas, etc) que normalmente seriam excretadas nas fezes. Está condição compromete todo sistema imunológico que fica em alerta e identifica as cadeias de proteínas como invasoras. Existem no organismo proteínas com cadeias de aminoácidos similares na tireoide e nos tecidos, que são vistos pelo sistema imunológico como invasoras sendo agredidas. Com a permeabilidade intestinal comprometida surgem as doenças autoimune, má nutrição, fadiga, etc.

 

 

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Um estudo realizado em 1999, nos Estados Unidos, pela Universidade do Estado do Colorado, relatou diversos antinutrientes (nutrientes que não são bem digeridos no organismo humano), substâncias psicoativas e outros agentes não relacionados ao glúten descoberto em cereais que podem prejudicar a parede do intestino.

 

Estes peptídeos (proteínas) parcialmente digeridos vindos dos cereais com glúten tem propriedades semelhantes às morfinas, são as gluteomorfinas, criando no cérebro a dependência química pelo glúten com a sensação viciante e prazeirosa provocada pelas exorfinas ("comida que consola" – substâncias similares à heroína, cocaína e morfinas).

 

O maior perigo são os pacientes celíacos ou sensíveis ao glúten não tratados e viciados que sentem-se fora de controle pois apetites anormais é comum em pessoas sensíveis ao glúten. Os viciados em glúten sofrem o mesmo que os celíacos na sensibilização do sistema imunológico aumentando o risco de determinados tipos de câncer. Para total recuperação do sistema imunológico leva-se de 3 a 5 anos depois do abandono do vício do glúten. A ingestão dos opiáceos ensina o organismo a apreciar o vício pelos opiódes.

 

Atualmente os Estados Unidos e o Canadá são os países que estão na frente em relação ao tratamento, pesquisa e exames para detecção de todos os tipos de sensibilidade ao Glúten. Ainda não existe para todos os anticorpos produzidos pelo glúten. A clínica do paciente é muito importante para obter um diagnóstico e tratamento adequado.

Marcadores genéticos HLA-DQ: indicado quando há caso de celíaco na família e quem sofre de tireoidite não autoimune. Busca identificar marcadores genéticos em glóbulos brancos como HLA-DQ2, HLA-DQ8, HLA-B8. 

Biópsia do intestino delgado: suspeita de doença celíaca. É introduzido um tubo pela garganta, estômago chegando ao intestino delgado onde é retirada uma amostra de células da parede do intestino delgado. Este exame segue o chamado "Sistema de Marsh". Com exceção do tipo 0 (tecido saudável), os demais já representam comprometimento do intestino, no entanto para um diagnóstico de doença celíaca precisa-se ter comprometimento de 80% do intestino, ou seja, tipo III b e tipo III c. O que faz com que este exame só dê positivo quando se tem comprometimento de 80 % antes disto o exame é negativo. Por isso a doença celíaca é considerada rara. Muitos celíacos ficam sem diagnóstico.

Um estudo realizado em 1999, nos Estados Unidos, pela Universidade do Estado do Colorado, relatou diversos antinutrientes (nutrientes que não são bem digeridos no organismo humano), substâncias psicoativas e outros agentes não relacionados ao glúten descoberto em cereais que podem prejudicar a parede do intestino.

 

 

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Teste de desafio do glúten: consiste em comer pequenas porções diárias de alimentos ricos em glúten a fim de medir a reação do orgânismo. Mas, se o paciente estiver em uma dieta com restrição ao glúten e a parede intestinal teve  a oportunidade de se recuperar, pode levar cinco anos ou mais até o dano intestinal característico da Doença Celíaca.

Teste de desafio retal: primeiro retira-se uma amostra para biópsia da mucosa retal, coloca-se uma suspensão de glúten e retira-se uma segunda amostra depois de quatro horas da mesma área. Indica a reação imunológica ao glúten. Detecta os casos mais brandos de doença celíaca.

Exame de absorção de açúcar para vazamento intestinal: é indicado para identificar o aumento da permeabilidade intestinal (vazamento intestinal). Consiste no reconhecimento de diversos açucares (dissacarídeos) e  a função de diversas partes do trato gastro intestinal.

Exames de sangue (são vários):

Anticorpo antigliadina – IGG e IGA: visa identificar a classe de anticorpos Igg e Iga.

Anticorpo antiendomísio – EMA: é um tecido de revestimento das fibras  musculares e está presente em mais de 90% dos celíacos que comem glúten. Trata-se de  um problema autoimune pois esses anticorpos atacam o endomínio.

Antitrasglutaminase tecidular – tTG: este exame é o mais recente. A transglutaminase é uma enzima que faz parte do endomísio envolvida por tecido reparador. Existe 3 tipos de tTG: tTG2  ataca o intestino; tTG3 anticorpo ataca a pele; tTG4 anticorpo ataca o cérebro e sistema nervoso.

 

Atualmente os exames mais inovadores e com melhor resultado são EMA, Elisa IGG e IGA e o tTG. Lembrando que dos 51 peptídeos das proteínas do glúten somente os 10 principais são checados. Por tanto, alguns pacientes acabam tendo resultado negativo, mas apresentam sintomas clínicos. O que não pode ser esquecido é que sempre a clínica do paciente é mais importante.

 

Os efeitos nocivos do glúten no organismo deflagra ao longo dos anos muitas doenças crônicas e fatais como câncer, doenças autoimunes, doenças neurológicas, diabetes (tipo I e Tipo II), osteoporose, doenças da tireoide, distúrbios mentais, doenças intestinais, etc.

 

 

Assista o vídeo abaixo com Dr. Mark Hyman, médico americano especialista em Medicina Funcional e Ortomolecular, presidente do Instituto de Medicina Funcional Americano, médico de importantes personalidades americanas como o ex presidente Bill Clinton e da senadora  Hillary Clinton:

 

 

 

 

 

 

 

Um estudo publicado na revista pediátrica Hung feito em crianças que seguem uma dieta sem glúten e laticínios durante o tratamento convencional para câncer mostrou uma redução de enterites (distúrbio que resulta da aplicação com quimioterapia e radioterapia) de 70 % para 0%.

 

Outro estudo mostrou a total remissão do câncer na doença celíaca somados tratamento convencional com uma dieta sem glúten associada a suplementos nutricionais. Comprovando que o glúten é um alimento inflamatório e ajuda a alimentar o tumor cancerígeno.

 

Certos peptídeos