"O cérebro humano consiste em cerca de 100 bilhões de neurônios e, uma vez danificados, não existe posibilidade de regeneração." Até pouco tempo, acreditava-se neste velho conceito, mas a  capacidade do cérebro em mudar, se adaptar e se recuperar já foi comprovada e é chamada de neuroplasticidade. Hoje, sabe-se que o cérebro pode ser estimulado através de dieta, atividade física e estilo de vida. 

 

Os problemas relacionados às doenças cerebrais são tantos e tão assustadores, que dados mostram que os custos atuais nos Estados Unidos relacionados a doenças neurodegenerativas estão estimados em mais de 159 bilhões de dólares ao ano e, com o envelhecimento da população espera-se que haja um aumento em torno de 80% em 2040. Com 5,4 milhões de norte-americanos com a Doença de Alzheimer – uma em cada oito pessoas com idade acima de 65 anos – pode-se afirmar que estamos atingindo proporções epidêmicas. Nos próximos 20 anos, a previsão é de que o Alzheimer afete um em cada quatro americanos, tornando-se tão prevalente quanto à obesidade e o diabetes. A cura para essa doença ainda não é conhecida, porém, pesquisas mostram que pode ser prevenida.

 

Prevenção com Ômega-3

 

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O índice de atrofia cerebral (isto é, a redução do tamanho do cérebro) aumenta com a idade e é a principal causa de redução da capacidade cerebral (declínio cognitivo) e morte prematura.

 

Mesmo que um adulto esteja completamente saudável, ele pode estar perdendo até 0,4% de sua massa cerebral por ano. Além disso, a atrofia de regiões cerebais específicas está associada a problemas como a atrofia do lobo temporal que representa 81% de aumento do risco de depressão.

 

Um número cada vez maior de neurocientistas acredita que a atrofia cerebral pode ser previnida, diminuída ou até revertida através de hábitos saudáveis e uso de suplementos. Isso porque, descobriu-se, por exemplo, que condições cardiovasculares, diabetes, problema de sono, distúrbio de ansiedade e alimentação podem estar associados à ela. Pesquisas recentes posibilitaram a melhor compreensão da capacidade do ômega – 3 em suspender o declínio da capacidade cerebral, relacionada à idade e doenças.

 

Os ácidos graxos ômega – 3 fazem parte de uma grande porção das membranas cerebrais onde exercem uma série de funções como melhorar  a permeabilidade das membranas celulares (melhorando a nutrição celular), ação anti-inflamatória e proteção das células dos efeitos lesivos do estresse (níveis elevados de cortisol). De fato, 30  a 50% dos ácidos graxos das membranas dos neurônios são constituídos pelos ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa que inclui o grupo ômega – 3, em especial o DHA que deriva, em sua maioria, de dieta ou suplementação. Com o avançar da idade, o teor de ômega – 3 nas membranas celulares, em áreas essenciais de processamento da memória, diminui, o que faz com que os cientistas acreditem que essa diminuição seja uma das causas do declínio cognitivo normal em doenças crônicas como Alzheimer.

 

Uma pesquisa publicada pela revista Neurology , da Academia Americana de Neurologia, relacionou níveis mais elevados de ômega – 3 a um maior volume cerebral em idades avançadas. Os pesquisadores analizaram os níveis de ácidos graxos ômega – 3 EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosaexaenoico) no sangue de mulheres que fizeram parte do Estudo de Memória da Iniciativa da Saúde da Mulher (Wowen's Health Iniative Memory Study), do instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. As participantes da pesquisa, com idade média de 78 anos, fizeram ressonância magnética para medir o volume do cérebro oito anos após o início do estudo.  Como resultado, um volume cerebral de 0,7% maior correspondeu aquelas mulheres que apresentavem o dobro de ômega – 3 no sangue, além de volume 2,7 % maior no hicampo, área considerada de extrema importância no armazenamento da memória e que sofre atrofia com a idade.

 

"Níveis mais elevados de ômega – 3 podem ser conseguidos através de dieta e/ou uso de suplementos, e os resultados sugerem que o efeito sobre o volume do cérebro é o equivalente a retardar o envelhecimento das células cerebais por alguns anos. ", explica James V. Pottala, autor do estudo da Universidade de Dakota do Sul, Minnesota. Outro estudo recente confirmou essa mesma descoberta.

 

Um  novo achado interessante é que a suplementação do ômega – 3 também ajuda na formação do cérebro. Um grande estudo publicado na revista Lancet, mediante análise da dieta de 12 mil mulheres grávidas, concluiu que os filhos de mulheres que consumiram mais ômega – 3 foram 52% mais propensos a ter maior pontuação em testes de Quoeficiente de Inteligência (QI) aos 4 anos de idade. Os ácidos graxos ômega – 3 DHA e EPA desempenham papel importante na construção do cérebro e trabalhos como esse tem mostrado a capacidade dessa substância de gerar crianças mais inteligentes, isto é, com um cérebro mais saudável.

 

O deficit de ômega – 3 na infância tem ido associado à maturação cerebral prejudicada e disfunções cognitivas, especialmente manifestado em maior risco de deficit de atenção e/ou hiperatividade, entre outros distúrbios comportamentais. Na vida adulta, a diminuição nos níveis de ômega – 3 pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade, depressão, agressividade, demência, além de outras condições de saúde mental e até mesmo criminais.

 

As modificações geradas pela deficiência nos níveis de ômega – 3 estão sendo revertidas com sucesso em experimentos realizados por cientistas. Se comprovou este fenômeno em camundongos jovens suplementados com ômega – 3 que mostraram aumento da plasticidade em suas células cerebrais com revigorado desenvolvimento das sinapses (zonas de contato entre os neurônios). Já em camundongos idosos, a suplementação resultou em reversão das mudanças neuronais relacionadas à idade , mantendo a aprendizagem e  a memória devido aos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios dos ácidos graxos.

 

 

O Açúcar e o Cérebro

 

 

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Você já ouviu falar em Diabetes tipo 3?

 

 

David Perlmutter, renomado neurologista americano e autor de vários livros, incluindo o popular "Grain Brain, e membro do American collage of Nutrition, compartilha a opinião de que o papel da nutrição na saúde do cérebro é essencial. Em seus livros, Perlmutter avalia que a Doença de Alzheimer é evitável e que os principais vilões são os carboidratos e o açúcar consumido ao longo da vida, destacando ainda que a sensibilidade ao glúten, proteína encontrada nos cereais que afeta o intestino, está envolvida nas doenças crônicas, incluindo as que afetam o cérebro devido à influência exercida no sistema imunológico.

 

A glicemia de jejum e o marcador de açúcar no sangue de longo prazo chamado hemoglobina glicosilada são preditores da Doença de Alzheimer, explica Perlmutter. Existe uma correlação muito direta entre maiores níveis de açúcar no sangue e a doença, ou seja, quanto mais açúcar no sangue, maior o risco de encolhimento do centro de memória, marca principal da doença, e a velocidade com que o cérebro diminui de volume está correlacionada à hemoglobina glicosilada (exame de controle da diabetes). A notícia boa é que esses fatores são perfeitamente controláveis através de mudança alimentar – controlando-se a quantidade de carboidratos, de calorias (quantidade total ingerida) e aumentando o consumo de gorduras saudáveis – e a prática de exercício físico. A neuroplasticidade cerebral é importante, fazendo com que a regeneração cerebral seja uma realidade.

 

Manter os níveis de açúcar controlados permite a redução da ação dos genes que expressam inflamação, aumentando a produção de antioxidante, e , através da neurogênese, permite a regeneração das células do centro da memória e promoção da conectividade.

 

Recentemente, o anúncio de que a Doença de Alzheimer possa ser o estágio final no cérebro do Diabetes tipo 2, surpreendeu a todos. Na verdade, medicos e cientistas já estavam investigando está hipotese a alguns anos. Em 2005, a Doença de Alzheimer foi inicalmente denominada de "diabetes tipo 3". A resistência à insulina (necessidade de qauntidade cada vez maior de insulina para manter o nível normal de açúcar no sangue), marca registrada do diabetes tipo 2, também pode levar a problemas cognitivos como perda da memória e confusão mental. Estudo realizado pelo grupo de pesquisadores liderado pela Dra. Sussanne de La Monte, da Universidade de Brown, dos Estados Unidos, identificou uma razão pela qual as pessoas com diabetes tipo 2 apresentam maior risco em desenvolver a doença de Alzheimer: o hipocampo, responsável pela aprendizagem e a memória, parece ser insensível à insulina, o que leva a crer que o cérebro também pode ser diabético assim como o fígado, os músculos e as células de gordura. A sugestão de que a Doença de Alzheimer possa ser causada por uma espécie de "diabetes do cérebro"conduz a interpretação de que problemas de memória que muitas vezes acompanham o diabetes tipo 2 sejam, de fato, o estágio inicial do Alzheimer e não um mero declínio cognitivo. Recebendo uma dieta elaborada para induzir ao diabetes tipo 2, os ratos estudados tiveram seus cérebros preenchidos com placas insolúveis das proteínas beta-amilóide e tau, uma das marcas registradas do alzheimer. A novidade é que, talvez não sejam as placas em si que causem os sintomas da doença, e sim seus precursores chamados oligômeros. Dessa forma,  as placas seriam a maneira do cérebro em tentar isolar os oligômeros tóxicos, ou seja, seria uma defesa e não a real causa da doença. Os testes em ratos mostraram que, os que foram alimentados com dieta rica em açúcar, para induzir-lhes a diabetes tipo 2, tiveram memória mais fraca do que os outros.

 

Acompanhando o progresso do envelhecimento de mais de 15 mil adultos de meia-idade durante 26 anos, com avaliações da função cognitiva de três em três anos, concluíu-se que houve um declínio das funções cognitivas em 19% a mais do que o normal já esperado em participantes com diabetes mal controlado, e quedas menores em participantes com diabetes controlado e pré-diabetes. O desenrolar do estudo ressalta a importancia da combinação de controle de peso atráves da dieta e prática de exercícios para que o diabetes seja previnido.

 

"Se nós podemos fazer um trabalho melhor na prevenção e controle do diabetes, podemos amenizar a progressão para demência em muitas pessoas", afirma Selvin, uma das autoras do estudo "Diabetes in Midlife linked to Significant Cognitive Decline 20 Years Later".

 

Outro estudo que avaliou essa relação entre diabetes e demência, comandado pelo Dr. Nick Bryan, professor de radiologia da Universodade de Perleman – Escola de Medicina da Pensilvânia, na Filadélfia, utilizou exame de ressônancia magnética de imagem e observou  o cérebro de 614 pessoas com diabetes tipo 2 há pelo menos 10 anos. Notou-se um encolhimento do cérebro que, segundo Bryan, pode estar relacionado com a forma como o açúcar é utilizado nele. A maior parte da perda de volume ocorreu na matéria cinzenta, além de áreas envolvidas no controle muscular, visão, audição, memória, emoções, fala, tomada de decisão e auto controle .O estudo em questão não prova que o diabetes  tipo 2 seja a causa da atrofia do cérebo ,apenas encontra uma relação entre a doença e uma maior ,e mais rápida perda de volume cerebral .Segundo os pesquisadores ,pode haver duas maneiras de o diabetes afetar o cérebro : Danos nos vasos sanguíneos e degeneração das células cerebrais .

 

De acordo com associação Americana de diabetes ,quase 26 milhões de pessoa nos Estados Unidos tem diabetes tipo 2. O Dr. Sourel  Najjar ,diretor de neurociência e acidente vascular cerebral  no Hospital universidade  de Staten Island, em nova Iorque Salienta : "Dado o crescente problema de saúde  pública de diabetes tipo 2 ,os resultados desta pesquisa são muitos importantes ,uma vez que ligar a diabetes diretamente  á atrofia  do cérebro ressalta a importância da prevenção  primaria e tratamento e tratamento precoce da doença na redução da demência ,particularmente na população ,mais idosa "

 

A correlação entre o coração e o cérebro 

Doença cardiovascular  saúde cerebral

 

Apesar de pouco difundida ,há uma forte correlação entre a doença cardiovascular  e atrofia cerebral , e talvez essa ligação se faça mas óbvia entre as doenças dos vasos sanguíneos (Arteriosclerose)e o volume cerebral .A Arterioesclerose ocorre quando placas de gorduras se acumulam dentro das artérias  restringindo o fluxo  de sangue na área comprometida .

 

Embora pensamos tipicamente no efeito negativo da doença no coração, causando angina e enfarte no miocárdio, o seu efeito  sobre o cérebro pode  ser igualmente devastador.

 

Quando o fluxo de sangue para o cérebro é restrito , há menor oferta de oxigênio  e nutrientes e isso implica diretamente na redução .Estudos mostram que pessoas com níveis mais baixos de fluxo sangüíneo para o cérebro têm mais atrofia cerebral e menor espessura total do córtex (a camada superficial ativa do cérebro ),resultando em pior desempenho nos testes de função  cognitiva .Quando comparados aos pacientes saudáveis (controles),os pacientes com doença  arterial coronariana tiverem o  volume , significativamente  menor de substâncias  cinzenta em varias regiões do cérebro . A relação entre as doenças  cardiovasculares e o volume do cérebro funciona em ambas as direções : Pessoas  com atrofia cerebral possuem um aumento de 58%  de risco de morte  multicausal ,69%de risco de morte vascular  e 96% de aumento de risco de acidente vascular cerebral em comparação com indivíduos que possuem  volume   cerebral normal .

 

 

Todas  as alterações  referentes  aos hábitos alimentares ,uso de suplementos e atividades físicas  que ajudem  o coração, previnem  também a arteriosclerose e irão, ao mesmo tempo ,prevenir o envelhecimento do cérebro .

 

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Homocisteína ,vilã pouco conhecida 

 

Os altos níveis do aminoácido homocisteina (produzido na metabolização do aminoácido essencial metionina ),estão tipicamente associado a doença do coração por serem causadores de arteriosclerose e também já estão relacionados a redução do volume cerebral ( independente do seu impacto  na doença  cardiovascular ).Estudos mostraram que pessoas com níveis elevados de homocisteina têm um menor volume de massa cinzenta no cérebro e ,como resultado ,apresentam piores pontuações em muito testes de função cognitiva, isso foi especialmente evidente em estudos de um grupo  de pessoas que recentemente sofreram acidentes vasculares cerebrais .

 

Os investigadores descobriram aquelas com níveis mais elevados do homocisteína apresentaram um enorme aumento de 8,8 vezes no risco de encolhimento do cérebro ,em comparação com aquelas que possuíam  níveis mais baixos

 

Outros estudos demonstraram que quanto maior o nivél  de homocisteina no plasma ,maior será a  taxa de atrofia  do cérebro e do risco para doenças   Parkinson e de Alzheimer .A deficiência de vitaminas do complexo B também  foi relacionada  ao encolhimento do cérebro .Isso faz sentido ,já que quantidades adequadas de vitaminas B6,B12 e ácido fólico levam á redução dos níveis elevados de homocisteína em outros metabólicos e, quando há uma carência de vitaminas do complexo B, esse processo de conversão não é tão eficiente, aumentando assim os seus níveis embora cada uma das vitaminas do complexo B ofereça seus próprios benefícios , vários estudos  recentes mostram porque  é importante suplementar com uma combinação  de ácido fólico ,vitamina B6 e vitamina B12 , o que foi claramente visto em um ensaio clínico duplo-cego , controlado por placebo em adultos com mais de 70 anos de idade  que tinham leve prejuízo cognitivo. No estudo , um grupo tomou folato, vitamina B12, e vitamina B6 , enquanto o outro grupo tomou placebo   doença  de Alzheimer são especialmente bem protegidas pelo mesmo regime de vitaminas B, descobriu que pacientes suplementados  apresentando maior  redução da atrofia destas áreas .Outro estudo ,utilizando as mesmas doses de vitaminas do complexo B ,descobriu  que pacientes suplementados tinham  em média 30% mais lentas de declínio cognitivo .Aqui esta outro exemplo da " janela terapêutica de oportunidade " pelo qual a atrofia cerebral pode ser evitada com o uso adequado de suplementos .

 

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Cuidado com a gordura trans 

 

UM NOVO ESTUDO  APRESENTANDO NA REUNIÃO DA  'AMERICAN HEART ASSOCIATION 'ALERTA:A GORDURA TRANS  NÃO É APENAS RUIM PARA O CORAÇÃO , MAS TAMBEM PARA O CEREBRO.

 

A pesquisa constata que as gorduras trans estão correlacionadas com pior desempenho em testes de memória em homens jovens e de meia-idade .Os resultados mostraram que os homens que comeram maior quantidade dessas gorduras lembraram cerca o cérebro." de 10% menos palavras do que aqueles que comeram menos .Segundo autora do estudo ,Dra. Beatrice  Golomb , as gorduras trans afetam a memória por gerarem estresse  oxidativo e inflamação no cérebro."o hipocampo é uma área do cérebro fortemente envolvida na memória " ,diz ela. Esse  estresse pode dificulta a função dos vasos sanguíneos ,levando ao fluxo de sangue e energia celular inadequados, o que por sua vez ,leva á disfunção  e morte celular ."A morte celular desencadeia a inflamação ,que também está ligada função cognitiva prejudicada ,o que promove ainda mais o estresse oxidativo ",afirma Golomb.

 

Segundo Dr.Perlmultter ,a retirada das gorduras  trans da dieta (este se refere as gorduras "mas" ou hidrogenadas  /transaturadas presentes em foods     ,marginas  e frituras  feitas com óleos vegetais )tem sido fundamental no tratamento da maioria das doenças degenerativas mais comuns ,i