O Ozônio é um gás natural presente na atmosfera terrestre (estratosfera) que contém 90% de todo ozônio, há 22 Km acima do nível do mar. Ele é composto por três atómos de oxigênio. A formação com o terceiro atómo é decorrente de uma reação endotérmica. 

 

O Ozônio foi descoberto em 1839, na Universidade de Basiléia (Suiça) por Chistian Friedrich Schönbein. Em 1856, o ozônio foi usado pela primeira vez em um curso de cuidados de saúde para desinfectar salas de operação e esterilizar instrumentos cirúrgicos(1). No final do século 19 o uso de ozônio para desinfetar água potável de bactérias e vírus estava bem estabelecida na Europa continental. No ano de 1892, The Lancet publicou um artigo descrevendo a administração de ozônio para tratamento da tuberculose(2) e em 1902, outro artigo foi publicado afirmando sucesso no tratamento da surdez crônica  com ozônio(3). O ozônio foi utilizado durante a Primeira Guerra Mundial para desinfectar feridas dos soldados, com excelente resultado(4).

 

Quando se fala em ozônio, encontramos vários grupos de estudiosos que falam deste gás. Existem os "ambientalistas", preocupados com o buraco na camada de ozônio, os "toxicologistas", que se preocupam com os efeitos adversos do gás no ar que respiramos e tem ainda os médicos"ozonioterapeutas" que tem em comum uma verdadeira paixão por pesquisar e aplicar com fins de melhoria da saúde humana e animal, o "ozônio medicinal".

 

 A terapia é reconhecida pelos sistemas de saúde de países como Itália, Espanha, Alemanha, Rússia e Cuba. No Brasil, várias instituições estão pesquisando a técnica. Em 2010, a Universidade de São Paulo, por exemplo, testou a ozonioterapia em bactérias hospitalares multirresistentes a antibióticos. Com apenas cinco minutos de exposição ao ozônio, dez delas foram eliminadas, inclusive a superbactéria KPC, que atingiu 13 Estados e matou ao menos 20 pessoas. Assista ao vídeo abaixo e veja a reportagem no Jornal Nacional.

 

 

 

Na Terapia com Ozônio podem ser tratadas patologias de origem inflamatória, infecciosa, isquêmica e com alterações do estresse oxidativo. Possui propriedades bactericidas, fungicida e virostática, por isso é largamente utilizado para tratamento de feridas infectadas, assim como doenças causadas por vírus e bactérias.

 

A Terapia com Ozônio também está sendo bem empregada em casos específicos de dor crônica. Quando entra em contato com um tecido biologicamente ativo, o ozônio reage imediatamente com numerosas biomoléculas que, juntas, formam verdadeiros sistemas de tamponamento antioxidantes(5).

 

Graças ao seu poder analgésico(6) e antiinflamatório, o ozônio está sendo utilizado com bons resultados no tratamento de dores causadas por hérnias de disco, inflamações crônicas, neuralgias, dores musculares, fibromialgia, joelhos, interfalangianas, dores paravertebrais, cervicais, lombalgias dentre outras enfermidades(7). Por ter poucas contra-indicações e efeitos colaterais, quando realizada de forma correta, por medico especialista em Clínica da Dor, a ozonioterapia permite, muitas vezes, a redução da dosagem dos medicamentos adotados para reduzir a dor e seu controle. Assim torna-se possível compreender o motivo do ozônio ser usado nas doenças que envolvem inflamações crônicas.

 

 

 A aplicação do ozônio medicinal é extremamente útil para a ativação imunológica em pacientes com um status imune baixo e/ou imunodeficientes. Estas pequenas quantidades de ozônio são aplicadas ao sangue do paciente, num processo que é chamado "auto-hemoterapia" (tratamento externo do sangue do paciente antes da reinfusão). Desta forma são ativados os sistemas antioxidantes e removedores de radicais livres ("scavengers") do próprio corpo.

 

 O Ozônio além de estimular os sistemas antioxidantes endógenos ele é um potente vasodilatador e melhora a curva de dissociação da hemoglobina com o oxigênio, melhorando a oxigenação tecidual, estimula a liberação de mediadores da imunidade como as citocinas (mediadores importantes como interferon e interleucinas). Estes informam outras células imunes, provocando uma cadeia de mudanças positivas no sistema imune, que se torna mais capaz de resistir a doenças, criando uma barreira que atua contra vírus, bactérias e fungos.

 

Estudo da Aplicabilidade da Terapia com Ozônio:

. Artrose 

. Artrite reumatóide e outras artrites autoimunes

. Bursites e tendinites

. Fibromialgia reumática

. Hérnia de disco e radiculopatias compressivas

. Tratamento local de processos sépticos (osteomielite)

. Síndromes miofasciais

. Varizes e úlceras varicosas 

. Pé diabético 

. Tromboflebites 

. Escaras 

. Claudicação intermitente 

. Insuficiência venosa e linfedema

. Cardiopatía isquêmica

. Cansaço e fadiga crônica

. Hepatite (B e C) 

. Colite ulcerosa 

. Enfermidade de Crohn 

. Fistulas perianais 

. Hemorróidas

. Proctite

. Úlcera gástrica

. Amidalite crônica 

. Faringite infecciosa 

. Vulvovaginites de repetição 

. Infecções genito-urinárias

. Mastodinea 

. Processos inflamatórios e abscessos de mama 

. Complicações sépticas obstétricas e puerperais (infecções pós-operatórias). 

 

 

Vias de administração:

– Injeção intramuscular

– Injeção subcutânea (analgesia, fins estéticos)

– Injeção paraverteral

– Injeção intra/periarticular

– Injeção intradiscal

– Insuflação retal

– Insuflação vaginal

– Insuflação de orelha 

– Aplicação de azeite ozonizado

– Água bidestilada ozonizada (compressa, spray, bochecho ou banho)

– Inalação de azeite ozonizado

– Bolsa (bag) 

– "Ventosa"

– Sauna

– Banho de vapor ozonizado

– Grande Auto-Hemoterapia (Major)

– Insuflação Retal

– Pequena Auto-Hemoterapia (Minor)

– Solução salina ozonizada

 

Produzido por: Clínica Higashi – Educação e Pesquisa

 

Leitura Complementar:

1. Chemical Technology Encyclopedia; Barnes & Noble 1968 vol 1 pp 82-3

2. The Internal Administration of Ozone in the Treatment of Phthisis". Lancet II: 1180-1181. 1892.

3. Stoker, G (1902). "Ozone in Chronic Middle Ear Deafness". Lancet II: 1187-1188

4. Stoker, George (1916). "The Surgical Uses of Ozone". Lancet II: 712.

5. Travagli V, e col. A realistic evaluation of the action of ozone on whole human blood. Internetional J Biol Macromol 2006;39:317-320.

6. Rodriguez MM, e col. Ozone Theraphie for outcomes of cerebral-vascular illness. Revista CENIC Ciencias Biol 1998; 29:145-148.

7. OLIVERIRA, JR J. Bases para o Uso Medicinal do Ozônio. SIMBIDOR. 2007.

 

Obs: Tratamento experimental no Brasil.