Existem várias tradições filosóficas, científicas e religiosas tentando responder o que é a consciência, de todas, a qual eu avalio como a mais coerente vem da filosofia objetivista que diz que a consciência é um processo ativo dos organismos vivos de perceber a realidade e adquirir a informação requerida para a sua sobrevivência (How We Know. Harry Binswanger).
É necessário ser um organismo vivo para ter consciência, ou seja , para ter a ciência de perceber a realidade, é necessário uma estrutura biológica, um sistema nervoso, que capte através do seu sentidos a realidade, e integre em um sistema neurológica a realidade de forma unitária, ou seja, perceptual , como ocorre com os animais, em contraste, com as plantas que não possuem sistema nervoso, neurônios, nem estruturas análogas, capazes de produzir unidades perceptuais, ou seja, não tem pre-requisitos estruturais para possuir consciência. Vegetais respondem ao ambiente, mas sem percepção, exemplo, um girassol segue a luz, mas não “vê” o sol; elas reagem, mas não representam o mundo para si mesmas. Já os animais por possuirem consciência caçam, buscam abrigo, reconhecem entidades existentes. As plantas não possuem um ponto de vista interno não tem um “eu” que se relacione com o mundo, e nem reconhecem entidades, apenas se autorregulam de forma biológica.
O ser humano é um animal racional e para sobreviver exige racionalidade para produzir, escolher, agir de acordo com que a realidade exige. O pensar é o único meio de compreender a realidade e agir nela com eficácia, portanto, o motivo último para pensar é preservar e promover a própria vida como um ser racional. Não pensar, não usar a razão é uma fuga, uma escolha, é viver como parasita, e em médio e longo prazo, é autodestrutivo. A escolha de pensar está enraizada na natureza do homem como ser vivo que sobrevive não por instinto, mas por conhecimento.
Conceitos axiomáticos são conceitos fundamentais da consciência humana, são autoevidentes e inescapáveis do conhecimento humano, são percebidos diretamente da realidade, e qualquer tentativa de negá-los, já os pressupõe. Como exemplo, o simples fato de termos consciência, já implica que há algo do qual temos consciência, ou seja, a existência esta implícito. A faculdade de perceber a existência, implica estar consciente, ou seja, a consciência esta implícito. Aquilo que existe, existe algo específico, com características determinadas, ou seja, a lei da identidade esta implícito. A natureza dos axiomas não são “proposições arbitrárias” ou “pressupostos dogmáticos”, mas constatações da realidade. Não podem ser “provados” porque são anteriores a qualquer prova, pois toda prova depende deles. Axiomas metafísicos falam da estrutura da realidade em si (existir, ser consciente, ter identidade), já o livre-arbítrio é um fato da natureza da consciência humana está em nível epistemológico e não metafísico, é a condição de possibilidade da razão. Sem escolha, não há foco; sem foco, não há pensamento; sem pensamento, não há conhecimento humano. Negar o livre arbítrio é negar o próprio processo que sustenta a lógica e a ciência. A capacidade de pensar (usar conceitos, lógica, ciência) depende desse primeiro ato voluntário. Se alguém disser: “Não temos escolha, tudo é determinado”, está usando o próprio ato volitivo para sustentar a tese, logo, o ato de pensar pressupõe a escolha de pensar, não se pode negar o livre-arbítrio sem exercê-lo.
Para a filosofia objetivista o livre-arbítrio é fundamental, primário e irredutível. O ato primário da consciência é colocar-se em foco — isto é, dirigir ativamente a mente para a realidade — ou ficar fora de foco, deixando-se na passividade.

Livre-arbítrio (Epistemologia Objetivista)
Sem o livre-arbítrio, não haveria nem conhecimento, nem lógica, nem ciência, é um condição epistemológica da racionalidade, é uma condição primária da própria mente humana. Não há um fator causal antecedente que determine se você vai utilizar a razão ou não (ex: a deriva ou evadir da realidade) . É você quem escolhe iniciar ou não esse esforço. Logo, não há determinismo psicológico ou físico que explique “por que” você decide pensar. Você pode reconhecer motivos racionais para pensar, sobreviver, alcançar valores, evitar erros, construir felicidade mas esses motivos só funcionam se você decidi focar nestes valores, eles não são causas deterministas que “forçam” a mente ao foco , são compreensões que só têm efeito se você escolhe exercitar a razão. Exemplo: uma pessoa pode ter mil motivos para estudar, mas ainda assim escolher a evasão. Além de epistemológicos, o livre arbítrio também tem consequências na moralidade, se não houvesse livre-arbítrio, não existiria bem ou mal, não faria sentido elogiar, culpar ou punir ninguém, pois todas as ações seriam inevitáveis, só podemos ser responsáveis por algo que poderia ter sido diferente, sem livre-arbítrio, conceitos como virtude, culpa, mérito, justiça não tem significado; consequências políticas, como direitos individuais só fazem sentido porque o ser humano é um agente livre, capaz de decidir, sem livre arbítrio, liberdade política seria ilusória, pois é o livre arbítrio que sustenta a ideia de que somos autores da nossa vida, e não apenas produtos de forças externas ou de uma necessidade cega.A noção de cidadania, liberdade civil e direitos individuais depende da premissa de que os indivíduos podem decidir como viver.
A faculdade cognitiva humana de lidar com a realidade não é automática, a razão é a escolha de pensar e é a base da liberdade humana, quando decidimos através do nosso livre arbítrio usar a razão, vivemos melhor pois a relação coerente da realidade com a nossa consciência nos torna indivíduos capazes cognitivamente de conhecer e lidar com realidade de forma a beneficiar a nossa existência.
Autor: Rafael Higashi, médico (52.74345-3), mestre em medicina, neurologista (RQE: 13728) e nutrólogo (RQE:19627) da Clínica Higashi Rio de Janeiro.